segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Uma brincadeira sem graça nenhuma

Dê uma olhada na enquete publicada no site do Estadão e que também está na Revista JT do último domingo.
http://www.estadao.com.br/pages/enquetes/default.htm?id_enquete=320

Ela também segue transcrita abaixo:

Quais reivindicações femininas você faria ao Prefeito(a) eleito(a) no domingo?Se todos os problemas estruturais da Cidade já estivessem resolvidos (Educação, Saúde, Transporte, Segurança ...) que reivindicações femininas você faria?


- Banheiros públicos femininos cheirosos e com secador de cabelo

- Vai e vem para o shopping, sobretudo na época das compras de Natal

- Programa "mãe paulistana em forma". Junto com o enxoval vem a "bolsa malhação"

- Kit maquiagem em casa, distribuído no dia de seu aniversário

- Vale-chapinha para usar em emergências, como os compromissos de última hora

- Bilhete múltiplo aceito em todas nas clínicas de estética

- Manicures poupa-tempo em pontos estratégicos: dentro do ônibus, na fila do banco ...

Tá duvidando? Dá uma olhada no link, então, de novo:
http://www.estadao.com.br/pages/enquetes/default.htm?id_enquete=320

Pois é, podem até dizer que isso foi só uma brincadeira. Mas isso não tira seu mau gosto.
A enquete é perfeita para reiterar os estereótipos que já marcam há muito tempo as mulheres. Como se elas só pensassem em unhas, clínicas de estética, chapinhas, etc. Toda a indignação com essa enquete é plenamente justificada.

Nota zero para a 'brincadeira' da semana. Lamentável que uma organizaçaõ de mídia do porte do Grupo Estado abra espaço para uma coisa dessas.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Esses aí não aprenderam...

Enquanto as bolsas de valores despencam pelo mundo, investidores perdem seu dinheiro, cabelos e até mesmo a sanidade - e nos EUA, pessoas comuns são obrigadas a se mudar para seus carros -, algo diferente acontece com certas pessoas.

São os executivos da AIG, maior seguradora do mundo e que só não quebrou com a crise financeira internacional porque o governo dos EUA interviu na empresa, injetando US$ 85 bilhões na seguradora. Mas, eis que os distintos cavalheiros aproveitaram a deixa para tirar umas 'férias'. O caso está relatado em uma matéria da France Presse, repercutida na Folha Online, cujo link segue abaixo:




Os recibos revelam que a AIG pagou US$ 440 mil pela semana de férias, sendo US$ 200 mil em habitações, US$ 150 mil em comida e US$ 23 mil em serviços de spa.


"O americano comum está sofrendo economicamente. Perde seu trabalho, sua casa e seu seguro de saúde. Agora me pergunto se isto tem sentido", diz o congressista democrata Henry Waxman .


A frase não poderia cair melhor...


segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Sacoleiras de luxo e a frase da semana

Uma matéria que saiu na Folha de S.Paulo de hoje é emblemática sobre a ilha de fantasia em que vivem sa representantes da "high society" em São Paulo. No caso, são as freqüentadoras da Daslu, paraíso das socialites paulistanas e, por que não, do Brasil todo. O link, para quem assina o jornal e/ou o portal UOL, segue abaixo:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0610200819.htm

A matéria é ótima para dar risadas das dondocas em seu momento de 'sacoleiras de luxo'. E também para ver em que mundo cheio de fantasia em que elas vivem, que em nada corresponde a realidade em que se encontram grande parte da população.

O texto ainda traz uma prova cabal da futilidade desse extrato "privilegiado" da população paulistana, que parece sentir o centro do universo dentro do próprio umbigo. É a declaração da advogada, que consta na matéria, justificando seu voto em Kassab no 1º Turno da eleição municipal de ontem: "Tenho que garantir o emprego do meu marido, que é advogado na Subprefeitura de Cidade Ademar (zona sul). Eu garanto o emprego dele, e ele garante as minhas compras na Daslu".

Dispensa maiores comentários...

sábado, 27 de setembro de 2008

Escolha de rádio digital abre polêmica no Brasil


Iboc or not Iboc?? Eis a questão...


Nesta semana saíram duas notícias - que não tiveram lá muita divulgação, infelizmente - sobre a questão da digitalização do rádio no Brasil. As conclusões de ambas são bem distintas.


A primeira delas é uma matéria do Meio&Mensagem de 23/09, com a conclusão da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) sobre seus testes com o Iboc, um dos modelos cotados para ser adotado no Brasil. A recomendação foi pela adoção do Iboc - na verdade esta foi desde sempre a opção preferida das grandes emissoras. A justificativa da Abert pode ser sintetizada pela declaração de seu diretor-executivo, Flavio Cavalcanti Júnior. "Não existe outro padrão adequado para o modelo brasileiro, o Iboc é o único. Não foi uma escolha", afirmou. (aqui cabe um SIC daqueles bem grandes). A matéria completa por ser lida neste link que segue abaixo:




Por outro lado, matéria da Agência Estado de 26/09 mostra um outro lado dessa questão. O Iboc também foi testado pelo Instituto Mackenzie, e a conclusão da instituição é completamente diferente. Ela "não recomenda sua adoção pelo Brasil sem que se façam testes comparativos com outros padrões. Essa é a razão por que o Mackenzie se recusa a assinar o relatório final dos testes, nos termos solicitados pela Abert". A matéria pode ser lida no link abaixo:




Ou seja, não adianta a Abert colocar o carro na frente dos bois. Ainda há muito a ser discutido e testado sobre o assunto. A digitalização do rádio, como bem coloca a matéria da Agência Estado, é muito menos avançada do que a da TV. Prova disso são notícias de que até mesmo que países da Europa também vem enfrentando problemas com os padrões digitais que adotou. Até nos EUA, terra do Iboc, o sistema não funciona às mil maravilhas.


Concluindo: ainda há muita água para rolar sob essa ponte. E precisamos todos ficar de olho para que o ímpeto de um certo grupo de empresas (que infelizmente possuem um alaido poderoso em Brasília) não prejudique seriamente todo um setor da comunicação, o da radiodifusão.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Pesquisas, pesquisas e pesquisas

Na segunda-feira, novo estudo do Ipea - com dados do Pnad (Pesquisa Ncional por Amostra de Domicílios) apontou que mais de 13 milhões de brasileiros subiram de faixa social nesta última década. A matéria sobre o assunto pode ser lida no link abaixo.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u447578.shtml

Especialmente em 2008, diversas pesqisas e estudos apontaram crescimento da renda dos brasileiros, que ascenderam na piramide social, que aumentaram de renda, etc. O Pnad e o Ipea são apenas duas delas.

Uma coisa me chama a atenção: quais são os parâmetros de pesquisa utilizados? Eles são adequados à realidade brasileira de hoje ou já se encontram defasados? Parece muito bonito nas pesquisas e nas matérias que saem a respeito do tema, mas correspondem de fato à realidade? Os preços continuam aumentando, o custo de vida em geral sobe, os salários não sobem na mesma velocidade com que sobem os preços... Fica a dúvida: todos esses dados não acabam apresentam um quadro distorcido da real situação da economia nacional, da economia doméstica? Eles são capazes de identificar as distorções existentes na economia e na sociedade brasileira ou acabam também sendo enganados pela péssima distribuição de renda brasileira, onde estatisticamente os que ganham muito acabam 'compensando' em consumo e qualidade de vida as camadas mais pobres?

Se próprio PIB do país teve seu cálculo alterado ano passado, reajustando para cima os índices de crescimento da economia brasileira, por que não poderia haver uma mudança nos índices utilizados por essas pesquisas, caso seja detectada mesmo essa falha?

Nunca vi nenhum jornal da grande imprensa, da grande mídia se questionar a respeito disso. Seria uma boa pauta, na minha opinião.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Frase da semana (lamentável, mas é)

"O povo de Porvenir evitou uma tragédia maior em Cobija. Lamentavelmente, com a morte dessas pessoas. Mas se evitou que o conflito acontecesse na praça principal. Teria havido muitas centenas de mortes."

A autora da frase é Ana Melena de Suzuki, presidente do Comitê Cívico de Pando (departamento no extremo-norte da Bolívia), e foi publicada na Folha de S.Paulo em 19 de setembro. Ela minimizou as mortes ocorridas na cidade de Cobija, localizada próxima à fronteira com o Brasil, em dos mais violentos choques entre defensores e opositores do governo de Evo Morales.

Independente da opinião que se tenha a respeito de um governo ou da postura da oposição em relação ao mesmo, 'um pequeno número de mortos' não pode servir de atenuante para o que aconteceu em Cobija. Os ânimos há meses estão exaltados na Bolívia e a posições como essa de Ana Melena em nada contribuem para resolver ou atentuar qualquer crise.

Lamentável para uma 'presidente de comitê cívico'. Tomara que essa não seja a opinião reinante na sociedade boliviana