domingo, 22 de março de 2009

Violência em Pernambuco

Que a violência no Rio e em SP é grande, todos sabem. Mas há regiões do Brasil que conseguem ser, proprorcionalmente, mais violentas que as duas grandes metrópoles do pais. É o caso de Pernambuco.

O mais novo episódio de violência por lá teve como vítima o delegado Fernando Machado, de 39 anos, um dos que estavam à frente das investigações que levou à prisão ano passado de 34 pessoas acusadas de integrar um grupo de extermínio que agia na Zona da Mata e na Região Metropolitana do Recife. A matéria sobre o caso pode ser lida no link abaixo, do JC Online:

http://jc.uol.com.br/canal/cotidiano/pernambuco/noticia/2009/03/22/delegado-atuou-na-operacao-contra-grupo-de-exterminio-182511.php

O site PE Body Count (http://www.pebodycount.com.br/home/index.php) denuncia de forma bastante enfática a situação de violência que assola o Estado e a incompetência do governo local no combate ao problema. Só em 2009, segundo o contador existente no site, 935 pessoas foram assassinadas em Pernambuco (7 delas somente em 22/03/09, data deste post).

Ou seja, a violência vai muito além do eixo Rio-SP. Pernambuco é só um exemplo no país. E pelo menos no caso deste Estado, há uma boa fonte alternativa às informações oficiais.

domingo, 15 de março de 2009

Antes tarde do que nunca

Demorou, mas enfim um representante da alta cúpula da Igreja Católica, no Vaticano, se pronunciou a respeito da polêmica sobre o aborto da menina de 9 anos que foi estuprada pelo padrasto. E a resposta, felizmente, é contrária a atitude de Dom José Cardoso Sobrinho, arecebispo de Olinda e Recife (PE), que ordenou a excomunhão da mãe da menina e dos médicos que fizeram o aborto.

http://noticias.uol.com.br/ultnot/ansa/2009/03/14/ult6817u2001.jhtm

Em artigo publicdo no jornal L'Osservatore Romano com data de hoje (15/03), o presidente da Pontifícia Academia para a Vida, monsenhor Salvatore Rino Fisichella, declarou. “"Antes de pensar em excomunhões seria necessário e urgente salvaguardar sua vida inocente, devolvendo a ela um nível de humanidade".

No mesmo artigo, Fisichella continua, dizendo que a menina brasileira "deveria ter sido defendida antes de tudo", mas "não foi feito isto, lamentavelmente, prejudicando a credibilidade de nossas instruções que, para muitos, parecem marcadas por insensibilidade, incompreensão e falta de misericórdia".

O artigo pode ser acessado em sua versão original por meio deste link, em PDF:
http://www.vatican.va/news_services/or/or_quo/062q01.pdf


Enfim, uma dose de bom senso partindo da Igreja Católica em relação ao caso. Antes tarde do que nunca. Católicos de todo o mundo devem agradecem pela manifestação, que mostra uma instituição mais atenta aos problemas e dilemas vividos atualmente.

Só uma pergunta que não quer calar: o verdadeiro algoz, o padrasto da menina, não terá nenhum tipo de punição por parte da Justiça ou da Igreja?

segunda-feira, 9 de março de 2009

"Estupra, mas não aborta" - essa seria a lógica?

O caso da menina de nove anos que ficou grávida de gêmeos após ser estuprada pelo padrasto e abortou a gestação ganhou notoriedade nacional não tanto pelo crime hediondo em si, mas pela decisão incoerente e injusta dos representantes da Igreja Católica de Olinda e Recife de excomungar a mãe da menina e os médicos que fizeram o aborto.

"Estupra, mas não aborta" - essa seria a lógica? Aos olhos do alto clero de Olinda e Recife, parece que sim, já que o verdadeiro criminoso, o causador de toda essa tragédia, não foi excomungado e passou quase que como vítima perante as pessoas que tiveram que tomar a difícil decisão de submeter a criança ao aborto. E o estupro foi colocado, de acordo com a decisão do bispo de Olinda e Recife, como um pecado "menor" do que o aborto.

A imagem que a Igreja passa com essa história é de uma total falta de bom senso e incoerência. Não se trata de uma gravidez provocada pelo desleixo de um casal adolescente que faz sexo sem uso de camisinha ou pílula anticoncepcional. Foi provocada pela perversidade de um sujeito que abusava da menina - e a ameaçava caso ela desse um pio a alguém sobre as atrocidades - desde que ela tinha seis anos de idade. Ou seja, um terço da vida da garota foi marcado pela presença e ação de um pedófilo da pior espécie. O verdadeiro culpado sai impune da história, e a verdadeira vítima é castigada em dobro.

Agora toco em um ponto complicado. Sou católico e contra o aborto. Mas este caso é por deamis extremo. Uma criança de nove anos, gerando gêmeos e sem o preparo psicológico e fisiológico para tal, oque colocava em risco três vidas ao invés de uma só. Como nasceriam essas crianças, que tipo de estrutura haveria para que crescessem? E ainda mais com o agressor vivendo sob o mesmo teto, como seria? A mãe da menina e os médicos preferiram não pagar para ver e optaram por salvar a garota com o aborto. Sim, porque era bem provável que os três morressem em breve. Mas pelo jeito o bispo de Olinda e Recife, que ordenou a excomunhãoda mãe e dos médicos, não levou em conta esse lado da história.

Está cada vez mais dificil ser católico ultimamente. Ainda custo a acreditar que a cúpula da Igreja em PE tenha tomado uma atitude de tamanha falta de bom senso e hipócrita. Duvido que preceitos como esses estejam na Bíblia cristã. Prefiro acreditar no que está escrito do que nas falas e atitudes de certos pretensos representantes.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Sim, ele voltou


Parece brincadeira, ou até mesmo um pesadelo. Mas o ex-presidente do Brasil, Fernando Collor de Mello, é quem comanda a Comissão de Infraestrutura do Senado.

Sim, o mesmo que foi eleito em 1989 como sinônimo de mudança, mas que confiscou a poupança, sofreu processo de impeachment em 1992 por causa de uma série de escândalos de corrupção e que perdeu os direitos políticos por oito anos.

Pois bem, agora ele é senador pelo Estado de Alagoas, onde sua família goza de grande influência – já havia tentado ser governador do Estado e até mesmo prefeito de SP. Ocupa uma vaga que, pelos últimos oito anos foi de Heloísa Helena, seu completo oposto. E além disso, agora preside a comissão do Senado responsável por fiscalizar as obras do tão falado PAC, um dos carros-chefe do governo federal.

Sim, ele voltou. E com ele reforça-se ainda mais o estigma brasileiro de ter memória curta quanto à política. E o desinteresse existente pela maioria da população em relação a ela só contribui para que indivíduos que mereciam o ostracismo eterno voltem à vida pública.

Enquanto as pessoas pensarem apenas em seu benefício próprio e não no próximo e no futuro de nossa sociedade, casos como esse continuarão a aparecer. E o mais preocipante, se banalizarem de vez.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

"Deixe para o povo decidir"

“Fomos às urnas decidir sobre o porte de armas. Acredito que a maconha, está muito mais presente na vida dos cidadãos do que as armas. Por que não deixar a decisão nas mãos do povo?”

A frase, de Antonio Neves (Florianópolis-SC) foi eleita a carta da semana da revista Época, que na edição da semana passada trouxe um debate que há muito tempo já deveria ter sido abordado pela grande mídia, sobre a legalização da maconha.

A frase é, no mínimo, coerente, em um país onde reina a incoerência. E estou entre aqueles que acham que a maconha deve ser combatida da mesma forma que o cigarro, com campanhas de conscientização. E sem esse papo de dizer que o país não está maduro para tal debate.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Reflexões difusas de Carnaval

Ao mesmo tempo que os Carnavais de Rio e SP, embalados pelos desfiles das escolas de samba, ganham badalação e ficam cheios de celebridades instaladas em camarotes patrocinados por marcas de cerveja, outros tantos pelo Brasil vão na direção contrária. Tais locais buscam algo mais simples, próximo das antigas festas de Carnaval, com marchinhas e tudo. E seu público é dos mais fiéis.

Exemplos desse Carnaval “de raiz” podem ser encontrados nas cidades históricas de Minas Gerais, nos blocos de rua que lotam o centro do Rio e em cidades do interior de São Paulo como São Luiz do Paraitinga e Caconde (onde? Isso mesmo, Caconde). Que frequenta tais cidades no Carnaval, jura que a festa é muito melhor do que as que passam na TV. Não duvido nem um pouco, ainda mais porque os desfiles das escolas (enredos, alegorias, e especialmente os comentários feitos pelos que acompanham a festa) não são lá muito originais há um bom tempo...

Mas ainda há aqueles que não querem saber de Carnaval de jeito nenhum, que não suportam ouvir por horas o mesmo ziriguidum das baterias das escolas de samba ou até mesmo as velhas marchinhas. Para estes, Carnaval serve apenas como um feriado – dos grandes – que cai como uma luva para recarregar as energias para o novo ano que se segue. Claro, isso se levarmos em consideração aquela velha mázima de que “o ano só começa no Brasil depois do Carnaval”.

Para alguns azarados, Carnaval é época de trabalho. Muito trabalho. Mas sem eles, seria impossível trazer as informações – mesmo que repetitivas – das festas pelo Brasil para aqueles outros azarados que não puderam, ou não quiseram, aproveitar o feriado para viajar ou pular Carnaval em sua cidade. Afinal, a crise econômica não é apenas uma “marolinha” como disse Lula. Mas ela também não pode ser a culpada por todos os problemas políticos, econômicos e sociais do Brasil, muito mais antigos do que a famigerada crise mundial.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O óbvio, nada mais que o óbvio

Em entrevista à revista “Veja”, o senador Jarbas Vasconcellos (PMDB-PE) disse que "boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção". Ele também diz que seu partido não tem "bandeiras, propostas nem norte". O partido cogita punir o senador. O link para a notícia segue abaixo:

http://veja.abril.uol.com.br/noticia/brasil/pmdb-discutira-punicoes-vasconcelos-421725.shtml


A declaração, apesar de polêmica, é óbvia. Acaba sendo válida porque parte de um quadro importante do partido. Mas não é segredo pra ninguém que o PMDB é tudo, menos um partido de fato. Está a anos-luz do papel que teve como aglutinador da oposição nos anos do regime militar. Hoje, em verdade, é uma federação de pequenos partidos locais que não se entendem, onde sobram caciques e escândalos de corrupção. Um partido que ocnsegue ser governo e oposição ao mesmo tempo pode ter uma série de coisas, mas falta a ele o que realmente importa a um partido de verdade (artigo raríssimo no país), uma diretriz própria.

Mas as críticas de Vasconcellos não irão longe. Ele mesmo, na mesma entrevista, diz que não dexará a legenda. “"Se sair daqui irei para onde? É melhor ficar como dissidente, lutando por uma reforma política para fazer um partido novo.".

Muito papo, pouca ação. E o PMDB seguirá o caminho que tem trilhado nos últimos anos.